Edson Izidoro, o mercador da morte: um deformado moral na enfermaria

Uma estatística macabra assustou técnicos da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro no início de 1999. Em apenas quatro meses, 225 pessoas morreram no Hospital Salgado Filho,...

Uma estatística macabra assustou técnicos da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro no início de 1999. Em apenas quatro meses, 225 pessoas morreram no Hospital Salgado Filho, no Méier. Destes, 116 faleceram nos plantões do enfermeiro Edson Izidoro, de 42 anos, uma média de quase quatro óbitos por dia em que trabalhou.

A direção do hospital foi avisada e começou uma investigação interna. Semanas depois uma auxiliar de serviços gerais entrou na sala do diretor e pediu transferência. Ela estava assustada. Isso porque, em várias ocasiões, a mulher viu Edson aplicando injeções em pacientes antes deles morrerem.

O enfermeiro foi afastado da rotina do hospital por três dias. Nesse período não houve óbitos. Em 6 de maio ele voltou e ficou sob vigilância da equipe médica. Mas, durante 15 minutos, Edson ficou sozinho e dois pacientes morreram. A polícia entrou no caso e no dia seguinte investigadores se disfarçaram de médicos e pacientes. Sorrateiro, o enfermeiro matou mais dois antes de finalmente ser preso.

DUAS CARAS


Edson era um funcionário público de carreira que causava impressões antagônicas em seus colegas. Para uns ele tomava “atitudes safadas, tirava onda de conquistador”, mesmo casado, e estava sempre bajulando a chefia. Para outros ele era um “profissional exemplar”, preocupado com os pacientes. Para quem já leu os livros de Paul Babiak, isso soa como a clássica definição de psicopatas que infestam o mercado de trabalho.

Edson não sentia por suas vítimas, apenas por si mesmo. “Não me arrependo do que fiz. Só me arrependo da situação em que estou agora”, disse em entrevista. Para não deixar dúvidas sobre sua condição psicopática, matava friamente para obter vantagem financeira, ignorando desejos, sentimentos e direitos alheios.

Suas vítimas morreram asfixiadas ou envenenadas com cloreto de potássio. Ele mesmo podia dar a dolorosa notícia aos parentes do morto ao mesmo tempo que indicava uma boa funerária para o enterro. Por cada indicação concretizada ele recebia uma comissão. Após o plantão, ia embora para passear com seu poodle.

Tipos como Edson continuam a existir. Qual o nome do próximo é uma questão de tempo.

Com 20 anos de enfermagem na época em que foi preso, é difícil acreditar que Edson, do nada, começou a matar aos 42 anos em janeiro de 1999. É uma característica comum de assassinos em série prolíficos: ao matar sem ser identificado, chega uma hora que ele se torna tão onipotente que passa a matar sem parar. Foi o que aconteceu com Edson. Em apenas quatro meses, mais de 100 pacientes morreram em seus plantões. Ele foi pego em flagrante após matar dois em poucos minutos.

Historicamente com uma estrutura sucateada, irregularidades administrativas e administração política corrupta, hospitais públicos do Rio podiam ser um paraíso para a atuação de um assassino em série motivado pelo dinheiro, como Edson, sendo ele uma ramificação muito maligna dentro de um contexto social podre e igualmente deformado. A década de 1990 foi repleta de histórias sobre tráfico de órgãos (que culminou numa CPI) e escândalos em série de corrupção na saúde.

Referências: [1] Desejo de Matar. Manchete. Ed. 2457. Pág. 12. 1999; [2] Assassino ‘caridoso’. Jornal do Brasil. 8 mai. 1999. Pág. 17; [3] Mortes nos plantões de Edson foram 116. Jornal do Brasil. 19 mai. 1999. Pág. 19; [4] Auxiliar confirma acusação a Edson. Jornal do Brasil. 8 jun. 1999. Pág. 20; [5] Condenação de Izidoro facilitará indenizações. Jornal do Brasil. 19 fev. 2000. Pág. 20.

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Por:


Daniel Cruz
Texto

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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