Morre Nikita Lytkin, um dos “Maníacos da Academia”

Durante seis meses a partir de novembro de 2010, a cidade russa de Irkutsk foi refém do medo com uma série de homicídios horrendos. Pessoas foram atacadas com marteladas...

Durante seis meses a partir de novembro de 2010, a cidade russa de Irkutsk foi refém do medo com uma série de homicídios horrendos. Pessoas foram atacadas com marteladas na cabeça e esfaqueadas em plena luz do dia, seis morreram e nove ficaram gravemente feridas. Enquanto a cidade se perdia em conjecturas, os monstrinhos ficavam em casa diante do computador lendo na Internet as notícias sobre suas sangrentas aventuras. Eles estavam se divertindo e aterrorizar Irkutsk era o objetivo deles.

Eles eram os amigos de infância Nikita Lytkin, de 17 anos, e Artyom Anufriev, de 18. “Somos deuses, nós decidimos quem vive e quem morre,” disse Nikita no julgamento. Esses dois garotos se conheceram numa festa de aniversário de um amigo em comum e na adolescência descobriram compartilhar sentimentos de depressão profunda, inferioridade e ódio contra a sociedade. Em algum momento, Nikita e Artyom decidiram que a melhor solução para extravasar a raiva que sentiam era punir a humanidade que desprezavam. Inspirados por conteúdos online racistas e de ódio, e crimes de assassinos famosos, os rapazes se armaram cada um com um martelo e uma faca e saíram à caça.

Como é comum nesses casos, o cérebro doentio e maligno da dupla pertencia ao mais velho, Artyom. Ele era a personalidade dominante — que instigou e planejou os crimes. Nikita era o subordinado que atuava como um cúmplice entusiasta. Tal configuração homicida foi descrita pela primeira vez em 1877 por psicólogos franceses. Eles a chamaram de folie à deux — algo como “loucura a dois”, “insanidade dupla”, “insanidade recíproca”, “loucura coletiva”. O folie à deux refere-se a um raro fenômeno psicológico em que duas ou mais pessoas intimamente relacionadas compartilham o mesmo distúrbio psicótico.

Hoje, o termo é usado com mais frequência para descrever um vínculo pernicioso entre duas pessoas que, juntas, fazem sobressair o pior em cada uma, incitando-se mutuamente a se engajar em atos criminosos que nenhuma delas, individualmente, teria coragem de cometer por conta própria.

Após cumprir 10 anos de sua pena de 20, Nikita Lytkin cometeu suicídio na prisão de Argansk, vindo a falecer em 30 de novembro.

A mídia russa informou que Nikita tentou o suicídio no último dia 28 de novembro. Ele foi levado a um hospital onde acabou falecendo dois dias depois. Aparentemente, ele cortou os pulsos. Como os ucranianos de Dnepropetrovsk, Nikita e Artyom filmaram alguns assassinatos e compartilharam na Internet, e foi esse comportamento de gravar suas atrocidades para lembrança que os delatou; um tio de Artyom descobriu um pendrive preenchido com cenas horrendas e contou para a polícia. No julgamento, Artyom tentou jogar a culpa no seu amigo mais novo, mas ninguém acreditou e ele foi condenado à prisão perpétua. Por ter colaborado na investigação e por ser menor de idade, Nikita foi condenado a 24 anos, sentença que foi reduzida para 20 tempos depois. Reportagens russas afirmam que Nikita ainda vivia sob a influência das ideias macabras de seu amigo, não tinha remorso e sofria com ameaças de outros prisioneiros.

Referências: CONTEÚDOS EM LÍNGUA RUSSA [1] “Martelo de Irkutsk” suicidou-se na prisão. BBC News Rússia; [2] Maníaco do martelo comete suicídio na penitenciária de Angarsk. Pravda;

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Daniel Cruz
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