Sergei Ryakhovsky: poder expressado pela barbárie

Citando o fictício Hannibal Lecter, o psicopata Dennis Nilsen deu uma das melhores definições sobre assassinos em série: “Lecter é mostrado como uma figura potente, o que é puro...

Citando o fictício Hannibal Lecter, o psicopata Dennis Nilsen deu uma das melhores definições sobre assassinos em série: “Lecter é mostrado como uma figura potente, o que é puro mito. São seu poder e manipulação que seduzem o público. Mas não é nada disso. Minhas ofensas surgiram de um sentimento de inadequação, não de potência. Eu nunca tive nenhum poder em minha vida”.

De fato, uma boa parte dos serial killers são pessoas frustradas e fracassadas que encontram no homicídio um canal para expressar poder. Covardes, eles são bestas salivantes apenas quando estão a sós com suas vítimas indefesas. Na frente dos outros são tão inofensivos quanto um gatinho.

Em 1993, no encalço de um perigoso e doentio assassino em série, a polícia de Moscou armou uma tocaia em volta de uma cabana abandonada encontrada na área de um dos crimes. Após alguns dias, um brutamontes de 1.98m e 130kg apareceu com cara de poucos amigos. Pior, ele portava uma faca. Mas apesar do tamanho, ele congelou de medo ao ver os policiais disfarçados e foi preso sem maiores problemas. Não era assim que funcionava para Sergei Ryakhovsky. Naquele lugar ele esperava encontrar uma mulher idosa desavisada ou um homem gay franzino, e não um trio de homens corpulentos.

O CAÇADOR


Socialmente inapto, estranho e incapaz de flertar com uma garota de sua idade, Ryakhovsky se voltou para mulheres idosas. Mas elas também não eram cortejadas, pelo contrário, Sergei às seguia à noite, as atacava e as estuprava. Preso após o 11º estupro, o rapaz foi vítima de toda humilhação sexual na cadeia. Ao sair, era um homofóbico raivoso que considerava homossexuais pessoas de segunda classe. Era necessário limpar o planeta deles.

A partir de 1988 ele embarcou em uma onda homicida que ceifou a vida de homossexuais, idosas e garotos; qualquer um que ele pudesse subjugar e matar. Ryakhovsky era um antro de perversão e seu sadismo pode muito bem ter sido um exercício de poder e violência sobre outra pessoa para autoafirmação e autopreservação.

Como Nilsen, seus sentimentos inconscientes de ódio primitivo foram canalizados para a destruição programada sádica de pessoas que não tinham nada a ver com suas inadequações.

Necrofilia, mutilação, desmembramento, decapitação e esventramento fizeram parte do macabro repertório de crimes de Sergei Ryakhovsky, que também destruiu o canal vaginal de algumas vítimas ao inserir e estourar bombinhas. O grandalhão, entretanto, já veio ao mundo prejudicado: de tão grande, os médicos tiveram dificuldades no parto e ele sofreu danos cerebrais. Ele cresceu com problemas na fala, concentração e socialização. A altura desproporcional, os problemas de aprendizagem e o comportamento da mãe em acompanhá-lo até a escola em idade tardia fizeram dele a vítima perfeita do bullying escolar. Ele se tornou um adolescente impulsivo, com baixa tolerância à frustração e com problemas de sexualidade, piorados com a violência sofrida na prisão por ser um “Jack”. Sergei era uma bomba-relógio. Inicialmente predou mulheres idosas, depois passou a frequentar parques e locais onde homossexuais se encontravam apenas para atraí-los e matá-los. Depois voltou a matar mulheres idosas e, no fim, descontrolado, matava qualquer um que cruzasse o seu caminho em locais remotos, incluindo adolescentes e homens idosos. Foi diagnosticado por psiquiatras com desvios sexuais (gerontofilia e necrofilia), sadismo e síndrome psico-orgânica. Condenado à morte em 1995, teve a sua pena comutada para perpétua tempos depois.

Referências: [1] «Я еще вернусь» Российский маньяк-великан пытал жертв и рубил им головы. Убийцы боялись сидеть с ним в одной камере. Lenta. 2019; [2] Masters, Brian. Killing for Company. Arrow. 1995; [3] Newton, Michael. Iron Curtain Killers: Serial Murder in Soviet Russia. RJ Parker Publishing. 2017. Edição do Kindle.

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Por:


Daniel Cruz
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