
No dia seguinte ao massacre escolar de Uvalde, um congressista do Texas veio a público nomear a responsável por tamanha barbárie: a música rap.
Para o político, crianças não deviam ser expostas às “coisas horríveis” ditas pelos rappers que, para ele, estavam carregadas de “violência horrorosa”. Dez anos antes, outra forma de arte foi apontada como vilã quando James Holmes entrou em um cinema do Colorado e descarregou seu fuzil na plateia. Em seu caso, os filmes violentos de ação foram lançados no lago de fogo e enxofre, acusados de influenciar malucos como Holmes. No ano seguinte a este caso, milhares de “especialistas” inundaram o Twitter para expor suas verdades de como o game Assassin’s Creed sugestionou Marcelo Pesseghini a matar a família.
Comumente temos visto discussões acaloradas sobre a influência de elementos da cultura pop em casos criminais. E para quem acha que isso é uma ocorrência de nosso tempo, saiba que a sociedade vilaniza o entretenimento há muito tempo — um comportamento que pode ser rastreado desde o século 19.
Em Anjos Cruéis, Daniel Cruz apresenta o caso de Tommy Harrington, um menino de 11 anos que abalou a sociedade americana na década de 1940 ao matar a vizinha com um tiro no peito. Era preciso encontrar um bode expiatório, afinal, uma criança não podia ser capaz de, sozinha, decidir e planejar um homicídio. A arte transgressora dos gibis e das revistas pulp, então, levaram a culpa.
Dentre as vozes dissonantes, a mais eloquente foi a do psiquiatra Fritz Redl. Ele não previu o futuro ao afirmar que “o público sempre quer um bode expiatório”, pois desde o seu tempo a sociedade funcionava como funciona hoje. Para o médico, culpar os pais, livros, filmes ou gibis era uma maneira ignorante de simplificar a delinquência. Era preciso uma abordagem multidisciplinar para encontrar uma resposta sobre a perturbação da personalidade do garoto. Nem mesmo o sistema judicial, baseado em punições e castigos, podia endireitá-lo.
O caso desta criança homicida prova que determinados conceitos sociais, quase cem anos depois, permanecem os mesmos.








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O trecho do livro Anjos Cruéis que retrata a história de Tommy Harrington pode ser lido no site da revista Aventuras na História.






