Eric Smith: criança assassina sai da prisão após cumprir 27 anos

Portas fechadas e poucas crianças nas ruas; as que se aventuravam saíam em grupos, mas a maioria ficava trancada em casa. Assim reagiu os moradores de Savona, uma pacata...

Eric Smith

Portas fechadas e poucas crianças nas ruas; as que se aventuravam saíam em grupos, mas a maioria ficava trancada em casa. Assim reagiu os moradores de Savona, uma pacata cidade de pouco mais de 900 habitantes cercada por florestas, no estado de Nova Iorque, ao assassinato de Derrick Robie, um bonitinho menino de 4 anos, em 2 de agosto de 1993. É difícil acreditar que num lugar tão remoto, sossegado e pacífico, onde todos se conhecem, um crime tão brutal possa ter sido cometido. Quem matou o pequeno Robie? Seja quem for o assassino, ele ainda estava à solta e certamente era alguém da comunidade. Um roteiro de filme — me lembra Twin Peaks.

Quando o corpo de Robie foi encontrado, todos ficaram horrorizados. A cabeça estava esmagada, o tórax com hematomas terríveis e, para completar o horror, havia um galho inserido no ânus da criança. Um time de 40 detetives foi designado para o caso e em poucos dias eliminaram dezenas de suspeitos, a maioria com álibis. Os 908 moradores da cidade foram interrogados, incluindo crianças. Ninguém, entretanto, tinha nada a dizer a não ser o quão pacata e familiar era Savona.

O SARDENTO


O problema para Eric Smith, um miúdo sardento de 13 anos, com enormes óculos de grau no rosto e corpo frágil, era que seu vodrasto era um investigador de polícia aposentado. Desde o início, o homem desconfiou das conversas e atitudes do menino. Seis dias após o homicídio de Robie, o homem convocou a família e apertou Smith. Pressionado, o menino disse:

“Então, eu espanquei. Fui eu.”

O resto é história. O caso Eric Smith se tornou um dos mais emblemáticos na criminologia envolvendo uma criança assassina e atraiu a atenção do mundo. O motivo de sua brutalidade nunca foi explicado, e psicólogos e psiquiatras digladiaram-se em seu julgamento, uns comentando sobre sua crueldade, “fúria patológica” e “lado sádico”, e outros afirmando que ele não poderia ser responsabilizado criminalmente por razões de “doença mental ou defeito”. Em uma decisão histórica, Eric Smith foi condenado à prisão perpétua.

LIBERDADE


Eric Smith, de 41 anos, foi solto em fevereiro de 2022 após passar 27 anos atrás das grades. Por dez vezes, o conselho de condicional negou seu pedido para sair livre, mas em outubro de 2021, o benefício foi concedido a Smith. Ele mora no bairro do Queens, em Nova Iorque, e está noivo de uma mulher com quem manteve relacionamento ao longo dos anos através de cartas.

Sobre a questão do “defeito”, exames de ressonância magnética mostraram que Smith tinha o lobo frontal anormal. Os psiquiatras da defesa alegaram que essa era uma evidência física de que o menino era “defeituoso”, pois o lobo frontal “ajuda a controlar os impulsos”. Eric tinha baixa autoestima e era incapaz de ignorar brincadeiras provocativas. Amigos dele em Savona disseram que ele sempre foi alvo de chacotas por sua altura, corpo franzino, cabelos ruivos e orelhas caídas. Um dos psiquiatras ainda afirmou que o menino nasceu com “vulnerabilidades”. A mãe de Smith usou na gravidez medicamentos para controlar ataques epiléticos. O menino sofreria da síndrome trimetadiona fetal, uma condição que leva a problemas na fala e fraco desempenho escolar — de fato, Eric sofreu de gagueira e reprovou de ano. Por outro lado, o menino era cruel e psiquiatras da acusação revelaram que ele tinha fixação pela morte e torturava e matava animais, comportamento que o próprio Smith confessou anos depois em uma entrevista.

Fontes consultadas: [1] Body of missing 4-year-old found in woods in Savona. Democrat and Chronicle. 3 de Agosto de 1993. Página 1; [2] Blows to head killed boy. Star-Gazette. 4 de Agosto de 1993. Página 1; [3] Savona plans tribute. Democrat and Chronicle. 5 de Agosto de 1993. Página 50; [4] Cops think boy’s killer from area. Star Gazette. 6 de Agosto de 1993. Página 1; [5] Young mayor helps Savona to endure tragedy. Star-Gazette. 8 de Agosto de 1993. Página 4; [6] Killer who was 13 when he lured boy, 4, into the woods and beat him to death with a rock was quietly released from prison after being paroled on his 11th attempt: Murderer spent 27 years behind bars and is now engaged. Daily Mail;

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Daniel Cruz
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