Joseph McGowan e o assassinato de Joan D’Alessandro

Quando o médico legista Frederick Zugibe chegou no local havia uma horda de policiais, peritos, agentes do FBI, repórteres, fotógrafos e curiosos. Todos ali já esperavam o que encontrar,...

Quando o médico legista Frederick Zugibe chegou no local havia uma horda de policiais, peritos, agentes do FBI, repórteres, fotógrafos e curiosos. Todos ali já esperavam o que encontrar, mas era necessário a identificação. E ela veio rapidamente. Um agente do FBI vizinho da vítima a reconheceu. Ela era Joan D’Alessandro, de 7 anos, desaparecida há três dias.

Membro do grupo de escoteiras Girl Scouts, a garotinha avisou sua mãe que iria fazer uma entrega de biscoitos em duas casas da vizinhança e desapareceu. Aparentemente ela nunca bateu na porta de nenhum dos vizinhos. Horas depois a pequena cidade de Hillsdale, em Nova Jérsei, se organizou e centenas de pessoas saíram às ruas em uma grande busca. Não demorou e a polícia de Nova Iorque enviou cães farejadores; agentes do FBI foram deslocados para a cidade e o chefe de polícia local, que estava de férias, voltou imediatamente.

O intenso trabalho das autoridades terminou com uma descoberta trágica — o cadáver de Joan jogado como lixo no acostamento de uma estrada a cerca de 30 km de Hillsdale. A visão chocou tanto Zugibe que ele pediu que um padre fosse até o local rezar antes de retirarem o corpo.

Ao concluir a autópsia, Zugibe listou os ferimentos que denunciavam a depravação total do crime: fratura do pescoço, estrangulamento manual, ombro direito deslocado, hematomas generalizados, lacerações no queixo e lábios, fratura frontal do crânio, fraturas no tórax na altura dos seios, ambos os olhos terrivelmente fechados e pretos, três dentes frouxos, hematomas nos pulmões e fígado, hemorragia cerebral e ruptura do hímen.

Na prática, a criança foi espancada, estrangulada, estuprada e espancada novamente até a morte. Mas havia mais. A cartilagem tireoide e o osso hioide estavam lesionados. O legista concluiu que cerca de meia hora após o brutal ataque, o agressor, provavelmente querendo se certificar de que a criança estava morta, voltou ao local do crime para realizar um segundo estrangulamento manual.

Quando o desaparecimento se tornou homicídio, uma inquietante e assustadora pergunta começou a martelar a mente de todos.

Que tipo de animal faria isso com uma criança?

Lágrimas escorreram pelo rosto de Rosemarie D’Alessandro quando ela foi até o seu vizinho perguntar se ele tinha visto a sua filha. A casa do homem era um dos destinos da garotinha de sete anos para entregar biscoitos e a mãe percebeu de imediato que havia algo errado.

“Você viu minha filha Joan? Ela veio aqui entregar biscoitos” perguntou.

“Não, eu nunca vi ela” respondeu.

Foi a maneira fria e indiferente do vizinho que fez Rosemarie chorar. Enquanto os olhos dela se enchiam de lágrimas, o vizinho apenas ficou lá, olhando, apático, segurando o seu cigarro, esperando que a mulher fosse embora.

O vizinho, Joseph McGowan, de 27 anos, não se parecia em nada com alguém capaz de tamanha monstruosidade: era professor de química no ensino médio e morava com a mãe e a avó. Não tinha ficha na polícia; nem mesmo uma bebedeira quando adolescente. Por dois dias McGowan sentiu a pressão do interrogatório policial, mas resistiu bem. Então, ele falhou em um teste no polígrafo. Cansado, pediu a presença de um padre. Então confessou.

HOMICIDA OPORTUNISTA


McGowan não acordou com desejo de matar, mas ao ver a criança na porta da sua casa, sozinha e indefesa, decidiu agir. Num timing (im)perfeito, Joan morreu por estar no local e hora errados. Mesmo com sua avó de 87 anos em casa, McGowan atraiu Joan até um quarto e lá ele a atacou, ficando tão sexualmente excitado que ejaculou nos próprios dedos, então os inseriu na vítima, causando o rompimento do hímen. De acordo com sua confissão, ao perceber a gravidade do ato, McGowan decidiu matar Joan porque se a deixasse viva “toda a minha vida acabaria”. Pouparei os leitores dos detalhes, mas o espancamento foi brutal. McGowan, então, descartou o corpo e voltou para se juntar aos outros moradores nas buscas.

“Me senti bem quando voltei para casa. Eu dormi bem,” confessou o homem.

Dois psiquiatras que o examinaram tiveram conclusões opostas. Um deles afirmou que “ele poderia agir de novo”. Já outro escreveu que “esses eventos ocorrem apenas uma vez na vida de tais indivíduos”.

Guardada a complexidade da mente humana, qual seria a psicologia assassina de Joseph McGowan? Seu ato horrendo poderia ser explicado?

Quando o cadáver de Joan D’Alessandro foi encontrado a pergunta que todos fizeram foi que tipo de monstro poderia ter cometido tamanha atrocidade. Com o assassino preso, especialistas médicos entraram em cena para tentar responder a questão.

O neuropsiquiatra Dr. Abraham Effron escreveu que “ele não mostra o que necessariamente sente. Ele esconde muitas facetas do seu complexo eu verdadeiro e sua verdadeira identificação… Ele tenta esconder sua incapacidade de estabelecer sua masculinidade. Ele sente tensão sempre que se aproxima do sexo oposto. Essa passividade gera ansiedade, que por sua vez se auto alimenta e resulta em um estado de maior tensão, que deve se expiar em uma perda completa do autocontrole ou liberação sexual… Ele pode agir novamente”.

Já o psiquiatra Dr. Eugene Revitch concluiu que o ato de Joseph MacGowan não foi de um “assassino frio, mas algo cometido em um estado de extrema desorganização e pressão emocional”. Para Revitch, o crime foi resultado de uma infeliz sequência de fatores “necessários para provocar o incidente”. Claramente, se Joan não tivesse batido na porta do vizinho, ele nunca a teria matado. Ela foi uma trágica vítima do acaso, portanto, era improvável que o homem pudesse matar novamente.

Guardada a complexidade do caso, o que, de fato, estava por trás da fúria homicida de McGowan?

A MÃE


O crime foi um ato de raiva, sendo o ataque sexual apenas uma das armas utilizadas. McGowan era um barril de pólvora prestes a explodir, tudo porque ele não era o homem que esperava ser. O motivo? Sua mãe. O comportamento dominante e controlador da mãe claramente teve um efeito profundo em seu desenvolvimento. Ele era um homem de 27 anos, inteligente e com mestrado, mas ainda morava no porão da casa da mãe e ainda emocionalmente dependente dela. Sua incapacidade de ir contra ela e ser forçado a viver com ela na fase adulta teve um impacto em sua autoimagem.

Ele se considerava um fracasso. Ele teve uma noiva, mas sua mãe foi enfática: ou ela ou eu. McGowan escolheu a mãe. Ela mandava nele e ele obedecia. Ele estava com raiva, muita raiva. Ele pensou em suicídio, mas então Joan D’Alessandro bateu em sua porta.

Referências: [1] Douglas, John. Olshaker, Mark. The Killer Across the Table: Unlocking the Secrets of Serial Killers and Predators with the FBI’s Original Mindhunter. Dey Street Books. Reprint Edição. 2019. Edição do Kindle; [2] Hillsdale girl missing; hundreds join in search. The Record. 20 de Abril de 1973. Página 4; [3] Long Night Spent In Desperate Hunt. The Ridgewood News. 22 de Abril de 1973. Página 5; [4] Neighbor charged with girl’s murder. The Record. 23 de Abril de 1973. Páginas 1 e 2;

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Daniel Cruz
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