Celebridades Assassinadas: Selena Quintanilla-Pérez — intriga & obsessão

Selena Quintanilla-Pérez não deve ser vista apenas como uma cantora talentosa. Ela é um verdadeiro ícone. Descendente de índios e mexicanos, Selena nasceu e viveu no...

Selena Quintanilla-Pérez não deve ser vista apenas como uma cantora talentosa. Ela é [no verbo presente] um verdadeiro ícone.

Descendente de índios e mexicanos, Selena nasceu e viveu no Texas. Precoce, começou a cantar aos 9 anos, com o grupo Selena Y Los Dynos. A carreira na música começou a decolar em 1986, quando ganhou o prêmio de melhor vocalista no Texano Music Awards com seu álbum Alpha. Ela estava com 14 anos. Em 1988, conheceu o baixista Chris Perez, com quem se casou em 1992. A consagração veio no ano seguinte. Ela venceu uma das categorias do Grammy com o álbum Selena Live!. Sem perder tempo, ela grava seu primeiro disco em inglês, Dreaming of You, e abre a própria butique, se tornando a primeira cantora a cultivar a ideia de ramificar e marcar seu próprio estilo.

Parecia que nada podia parar Selena Quintanilla-Pérez.

A FÃ


No mundo das celebridades, não raras vezes a obsessão do fã pode se tornar doentia. Esse foi o caso de Yolanda Saldivar. Apaixonada por Selena, Yolanda, na época com 30 anos, serpenteou pelos lados e ganhou a confiança do pai da cantora, que autorizou a criação do fã-clube de Selena em 1991. Yolanda se tornou a presidente e não demorou para virar amiga da cantora. Sua obsessão por Selena cresceria de forma assustadora nos quatro anos seguintes.

Yolanda tornou-se parte vital da vida de Selena, tinha a confiança da cantora, ao ponto de ter as chaves de sua casa. Selena, também, a colocou para gerenciar suas butiques. Possessiva e traiçoeira, Yolanda criou intrigas na tentativa de ter controle total de Selena. Inconveniente, reclamava quando não era citada em entrevistas. Os sinais foram percebidos pela família da cantora e o pai de Selena a demitiu de suas funções — eles descobriram que Yolanda roubou milhares de dólares do fã-clube e das butiques.

Sem Selena, Yolanda não era ninguém.

Em 31 de março de 1995, Yolanda chamou Selena para “conversar” em um motel. Quando a cantora pediu para ver a contabilidade dos negócios, Yolanda sacou um revólver e atirou. Ferida, Selena ainda correu pelos corredores com Yolanda atrás aos gritos de “vadia”.

E assim morreu Selena, assassinada pela presidente de seu fã-clube.

Levada em estado crítico ao hospital, Selena foi imediatamente colocada na emergência cirúrgica onde médicos tentaram por 50 minutos ressuscitá-la. Avisado, o experiente cirurgião Dr. Louis Elkins correu até o hospital e encontrou Selena com o tronco aberto e médicos desesperados aplicando drogas e realizando massagem cardíaca diretamente no coração. A bala comprada por Yolanda, de um tipo a provocar dilacerações maiores no tecido atingido, fez o seu trabalho destruindo todo o tecido do lado direito do peito e Elkins percebeu imediatamente que não havia nada a ser feito.

Selena Quintanilla-Pérez foi declarada morta às 13 horas e cinco minutos de 31 de março de 1995, 16 dias antes de completar 24 anos. Após matá-la, Yolanda saiu tranquilamente do motel, mas foi interceptada por uma viatura policial. Ela sacou a arma, apontou para a cabeça e ameaçou se matar. Negociadores da Swat e do FBI foram chamados e, após uma tensa negociação, Yolanda se rendeu. Em outubro de 1995, ela foi condenada à prisão perpétua com direito a pedir liberdade condicional em 30 anos (em 2025). Vinte e sete anos depois do crime, ela continua presa em uma penitenciária do Texas.

Selena é um ícone, principalmente por ser uma mulher de origem humilde que ascendeu em um mercado machista e dominado por homens. Nunca antes, na música tejana, houve uma celebridade mulher. Ela não apenas venceu o preconceito e as tentativas da indústria em sabotá-la, como se tornou o maior expoente do estilo e um dos grandes nomes da música do século 20, mesmo com uma carreira tão curta.

A comunidade latina nos EUA, largamente ignorada e humilhada, encontrou em Selena uma fonte de inspiração. Eles não eram apenas os estupradores, traficantes, criminosos e chefes de gangues retratados nos filmes e séries de TV; eles também eram talentosos e podiam atingir posições que, a princípio, estavam destinadas apenas a um grupo seleto. Foi por causa de Selena que a revista People criou sua versão em espanhol.

Ainda hoje, Selena é um símbolo de orgulho para os mexicanos e indígenas nos EUA, não apenas devido ao sucesso, mas pelas barreiras superadas uma a uma. O álbum Dreaming of You, lançado postumamente, é o disco de música latina mais vendido da história americana. Sem Selena, não haveria Jennifer Lopez, Ricky Martin e Shakira, artistas latinos que tiveram suas carreiras facilitadas após o fenômeno Selena.

Referências: [1] Saldivar guilty of Selena’s Murder. Fort Worth Star-Telegram. 24 de Out. 1995. Pág. 1, 8; [2] Texas Vs. Saldivar. Corpus Christi Caller-Times. 12 de Out. 1995. Pág. A10, A11; [3] Selena’s memory can guide us across cultural divides. Fort Worth Star-Telegram. 15 de Abr. 1995. Pág. A31; [4] Fans shocked by fatal attack on Selena. The Brazosport Facts. 1 de Abr. 1995. Pág. 1A, 5A; [5] Photos: Selena was buried 23 years ago this week. My Santo Antonio; [6] Celebrating Selena. Texas Monthly; [7] Surgeon Recalls Futile Emergency Treatment of Selena. The Journal News. 20 de Out. 1995. Pág. 7; [8] ‘Futile’ Efforts to Save Selena. Philadelphia Daily News. 20 de Out. 1995. Pág. 19

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Por:


Daniel Cruz
Texto

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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