Celebridades Assassinas: Bruno Fernandes — Ego & Onipotência

O badalado médico Drew Pinsky escreveu que uma grande parte das celebridades não está em busca de uma carreira real, mas das drogas do showbiz: adulação, dinheiro, fama. A...

O badalado médico Drew Pinsky escreveu que uma grande parte das celebridades não está em busca de uma carreira real, mas das drogas do showbiz: adulação, dinheiro, fama.

A atenção exacerbada dispensada às celebridades pode fazê-las sucumbir a um mundo imaginário. Fãs fazem fila por horas para ter um vislumbre do indivíduo saindo de seu carrão e gritarão horrores à sua mera visão. Pegue um narcisista e alimente seu ego dessa maneira 24h por dia. Temos parte da receita para pessoas como Bruno Fernandes.

“Quem aí de vocês que nunca saiu na mão com uma mulher?” questionou o então goleiro a um grupo de jornalistas. Um efeito colateral da cultura das celebridades é que ela dá voz a indivíduos toscos como Bruno. É o trogloditismo como norma. Em seu caso, a onipotência e o senso de grandiosidade lhe permitiram dizer tamanha besteira sem se preocupar. Mas ele achava que podia mais.

Ídolo do Flamengo, Bruno era um forte candidato a vestir a camisa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014. Ele tinha um salário de cinco dígitos, uma proposta milionária da Europa, fama, bajulação e até um testa de ferro, o amigo de infância Macarrão. Quando uma amante se mostrou inconveniente, Bruno simplesmente decidiu matá-la.

Eliza Samudio desapareceu após ser atraída até a chácara do atleta em Minas Gerais. Seu corpo nunca foi encontrado. Antes de morrer, Eliza já havia sido espancada e forçada a ingerir remédios abortivos. Um dos envolvidos, primo de Bruno, revelou que Eliza foi morta e esquartejada; pedaços do corpo foram comidos por cães e os ossos concretados.

Falso e soberbo, e mesmo depois de preso, Bruno fez pouco caso do sumiço. Sua desconexão emocional nos foi apresentada quando fez propaganda de canil ou disse ao repórter Roberto Cabrini ter “a consciência tranquila”. Bruno possui características clássicas de gente psicologicamente deformada: falta de empatia e remorso; ele não se importa com o que fez ou com a dor que causou a terceiros; hoje, solto pela justiça, sapateia na cara de todos e age como se ainda fosse ídolo.

“Imagine uma nova história para sua vida”, escreveu ele em sua bio do Instagram.

Uma nova história é tudo que Eliza não pode ter.

Para Bruno, Eliza Samudio, mãe de seu filho, estava lhe causando “problemas” e atrapalhando sua carreira. Em sua presunção patética, bastava matá-la e sumir com o corpo, que o crime nunca seria descoberto. Bruno sempre foi problemático. Foi dispensado do Cruzeiro por indisciplina e saiu do Corinthians pela porta dos fundos. Seu estilo de vida era incompatível com a de um atleta profissional. Ainda hoje nega envolvimento direto no crime e tentou culpar Macarrão.

Para o Ministério Público, Bruno foi o mandante do homicídio. Seu testa de ferro, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, disse que não matou Eliza, mas a levou “para matar”. Segundo Macarrão, ele estava cego pela ganância e vida de ostentação que levava com Bruno, regrada a dinheiro, adulação e orgias. Ele faria qualquer coisa pelo seu “Deus”. Ainda de acordo com o MP, Macarrão e um menor de 17 anos, primo de Bruno, teriam levado Eliza até a casa do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que a estrangulou e desapareceu com o corpo.

Desde o início, o menor foi o único a contar detalhes sobre o crime, como o fato de cães terem comido a carne de Eliza. Ele cumpriu menos de três anos de medida socioeducativa. Por ter confessado participação no crime, Macarrão foi condenado à pena mínima de 15 anos. Ele cumpriu 7 anos e saiu em liberdade condicional em 2018. Atualmente, vive em Pará de Minas, MG.

Condenado a 22 anos, Bruno cumpriu 8 e foi solto em 2019. Hoje, vive em Cabo Frio, RJ, compartilha sua rotina nas redes sociais, faz propaganda de luvas de goleiro e canil, publica fotos com pitbulls e até apareceu todo sorridente em um story com seu novo carrão SUV. Bola, condenado por dois homicídios, também está solto em regime semiaberto.

Referências: [1] Macarrão revela detalhes do crime. Correio Braziliense. 22 de nov. 2012. Pág. 12; [2] Testemunha lembra o passado sujo de Bola na polícia. Veja; [3] Bola, condenado pelo caso Eliza Samudio, volta à prisão. G1; [4] Dez anos depois da morte de Eliza Samúdio, goleiro Bruno, Bola e Macarrão estão fora da cadeia. G1; [5] Bruno admite pela 1ª vez que Eliza foi morta e culpa Macarrão pelo crime. G1; [6] Goleiro Bruno segue driblando a Justiça. Correio Braziliense; [7] Macarrão: “Não matei. Levei para matar”. Revista Época. Disponível no YouTube; [8] Como o goleiro Bruno atraiu Eliza Samudio para a morte. Veja.

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Daniel Cruz
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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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