Vladimir Mukhankin: o discípulo de Chikatilo

Em 1990, quatro pessoas dos signos de Escorpião, Gêmeos, Touro e Câncer foram atacadas em Nova Iorque. Uma morreu. Dois anos depois, a leonina Patricia Fonte foi assassinada. Em...

Em 1990, quatro pessoas dos signos de Escorpião, Gêmeos, Touro e Câncer foram atacadas em Nova Iorque. Uma morreu. Dois anos depois, a leonina Patricia Fonte foi assassinada. Em 1993, foi a vez de James Weber, de Virgem, perder a vida. Esses homicídios foram cometidos por um serial killer que deixou junto aos corpos mensagens cifradas e sarcásticas, contendo referências à mitologia clássica, constelações e signos. Ele também enviou cartas a jornais, afirmando que mataria 12 pessoas, uma para cada signo do zodíaco. Não havia dúvidas de que este homicida foi influenciado e estava imitando o misterioso Assassino do Zodíaco, que na década de 1960 matou cinco pessoas na Califórnia.

Cantores, escritores ou celebridades inspiram pessoas que seguem suas vidas, consomem suas histórias e absorvem seus ensinamentos. Na outra ponta, indivíduos perturbados e mentalmente frágeis podem se inspirar no que de pior existe em nossa sociedade, como um assassino famoso. Em 1995, o russo Vladimir Mukhankin alugou um barracão numa região periférica de Shakhty. Por que este lugar? Porque foi lá que Andrei Chikatilo, o mais famoso maníaco soviético, matou pela primeira vez.

“Celebridade” do crime, Chikatilo inspirou livros, filmes, séries e documentários. Sabemos que a mídia pode ser uma poderosa ferramenta de ensino e a exposição midiática de Chikatilo certamente orientou e motivou aqueles inclinados à violência. A publicidade recebida é um motivador poderoso para indivíduos fracassados que buscam o mesmo nível de atenção, principalmente para os psicologicamente deformados como Mukhankin.

Na tentativa insana de superar seu ídolo, Mukhankin matou oito pessoas (quatro mulheres, três adolescentes e um homem) em dois meses, a maioria em Shakhty. Obviamente, Chikatilo foi um catalisador, mas Mukhankin tinha a sua própria patologia e seus crimes envolveram desmembramentos e evisceração. Ele chegou a dormir na cama rodeado dos órgãos internos de suas vítimas e escrever poemas a elas.

Uma vida de frustração foi coroada com a repentina bajulação que recebeu por seus crimes. Mas sua felicidade maior foi descobrir que o detetive que o interrogou havia participado do caso Chikatilo.

Vladimir Mukhankin passou uma vida inteira nas sombras. Psicologicamente deformado e influenciado por Chikatilo, aos 35 anos decidiu dar um sentido à sua vida, e esse sentido foi matar pessoas com objetivo de superar as 52 vítimas de seu ídolo. Assim, ele atingiria o “sucesso”. Mas sua loucura foi a sua ruína. Descompensado, e como Chikatilo, ele abordou uma mulher em uma estação de trem e a atraiu até um local afastado. Lá a esfaqueou e a desmembrou, espalhou os pedaços em volta da linha férrea e deitou-se junto aos restos. Após um tempo, levantou-se e começou a caminhar, então avistou mãe e filha. Ele as atacou, matou a mãe, mas a filha fugiu e começou a gritar, atraindo policiais ferroviários. E assim ele foi preso.

Em sua confissão ficou claro que ele sentia ódio de mulheres, um sentimento que surgiu com sua mãe. Ele nunca se sentiu amado por ela. Mukhankin revelou que foi constantemente abandonado e surrado pela mãe, que nutria nada mais do que desprezo por ele. Ele também apanhava dos namorados dela. Acuado, insociável e inseguro, se tornou a vítima perfeita do bullying escolar. Chegou a fugir de casa e morar em um cemitério, onde tentou cavar um buraco para se enterrar. Ainda pequeno, expressou seu ódio reprimido matando cães e gatos. Cresceu um adolescente revoltado, morando em internatos onde aprendeu a roubar, beber e bater nos mais novos. Em suas memórias, escreveu que era “um cachorro jogado na rua por todos”.

Desde 1995, Vladimir Mukhankin está preso na prisão de Novocherkassk, a mesma que seu ídolo Chikatilo foi executado.

Sobre o “Assassino do Zodíaco” que atacou em Nova Iorque, seu nome era Heriberto Seda. Ele foi descoberto por acaso em 1996, quando a polícia o prendeu por ter atacado a irmã e o namorado dela.

Referências: [1] Дневники знаменитого маньяка Муханкина: «Когда вы узнаете все обо мне, Чикатило покажется вам каким-то цыпленком». Komsomolskaia Pravda. 2021; [2] Владимир Муханкин. Серийный убийца, маньяк. Превзойти Чикатило. По прозвищу Ленин. YouTube: @truecrime.5864.

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Daniel Cruz
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