Cultura Diabólica: a sociedade cria os assassinos deformados que nos matarão amanha?

O assassino canibal inglês David Harker, que em 1998 assassinou uma mulher, a decapitou, a desmembrou e cozinhou partes de seu corpo com macarrão e queijo, foi questionado por...

O assassino canibal inglês David Harker, que em 1998 assassinou uma mulher, a decapitou, a desmembrou e cozinhou partes de seu corpo com macarrão e queijo, foi questionado por um psiquiatra se ele foi inspirado por Hannibal Lecter, o canibal fictício do filme O Silêncio dos Inocentes.

“Pessoas como eu não vem de filmes. Os filmes é que vem de pessoas como eu,” respondeu sem pestanejar.

Eu não poderia deixar de concordar com sua resposta.

Há uma corrente de pensadores que afirma que o inimigo a ser combatido somos NÓS MESMOS. Nós, que bradamos ser uma espécie evoluída, criamos os assassinos deformados que no futuro nos matarão.

Por exemplo. Quem há 30 ou 20 anos imaginaria que jovens brancos europeus sairiam de suas confortáveis casas para cometer assassinatos em massa em outros países (ou participar de uma guerra em outro continente) em nome de uma causa religiosa radical? Isso era impensável, mas se tornou possível graças a um combo de fatores: a concentração de riqueza, a desigualdade social, a proliferação de grupos terroristas jihadistas, a propaganda radical islâmica, a intervenção militar estrangeira, a Internet, a alienação e marginalização em casa, a doença mental, o desvio de personalidade, o fácil acesso a armas de fogo — nenhum desses elementos (ou outros) por si só criou o fenômeno atual de radicalização que assola as sociedades ocidentais, mas quando a tempestade perfeita se forma através de um tipo de sincronismo histórico maligno, suas ondas atingem em cheio a sociedade e não há como escapar. Alguns chamam essa mistura (e podemos traçá-la em outros momentos de nossa história) de “cultura diabólica”.

Da mesma forma, e ainda citando jovens de países desenvolvidos, cada vez mais há casos de terrorismo doméstico motivado por intolerância religiosa e racismo.

“Essas crianças que vieram até vocês com facas, elas são suas crianças. Vocês as ensinaram. Eu não as ensinei,” disse o tresloucado Charles Manson em seu julgamento. Manson era um mestre com as palavras, mas sua afirmação intriga.

Devemos cuidar das crianças HOJE antes que elas apareçam amanhã com facas. Nós somos os monstros e precisamos parar.

Ou sermos parados.

A Saber: Seguindo essa visão, outros exemplos dos “efeitos colaterais” da “cultura diabólica” incluem os assassinos “lobisomens”, que emergiram na Europa durante a grande caçada às bruxas entre os séculos XV e XVII e as guerras religiosas. Outro exemplo interessante é a contracultura norte-americana na década de 1960 que escancarou as portas do hedonismo. Como consequência, autores apontam que nas décadas seguintes, nunca na história do século XX nos EUA houve tantos assassinos e maníacos sexuais atuando. Uma epidemia de serial killers sexuais macabros se seguiu com as décadas de 1970 e 1980 sendo conhecidas como a “era de ouro” dos assassinos em série.

A Saber II: O brasileiro Wellington de Menezes poderia ser enquadrado nesse tipo de assassino “fabricado/moldado” pela sociedade? Não há dúvidas de sua doença mental e malignidade. Mas ele também foi influenciado pela violência e radicalismo religioso tão facilmente disponível na Internet. Há outros fatores sociais envolvidos também. Um avião nunca cai por um só problema, é sempre uma sucessão de fatores que leva ao desastre. Da mesma forma são os terroristas, os assassinos em série e em massa. Se o fator mental é complicado de lidar, o mesmo não podemos dizer do social.

Incels homicidas e assassinos em massa de escola são todos produtos de nosso tempo, assim como os assassinos “lobisomens” da Idade Média.

Dica de leitura: Vronsky, Peter. Sons of Cain: A History of Serial Killers from the Stone Age to the Present. Berkley. 2018.

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Daniel Cruz
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