Thierry Paulin: drag-queen de noite, assassino em série de dia

O multifacetado Thierry Paulin era uma figura da vida noturna parisiense dos anos 1980. Mitômato, homossexual, viciado em drogas, garçom no badalado Latin Paradise, drag queen e, também, assassino...

O multifacetado Thierry Paulin era uma figura da vida noturna parisiense dos anos 1980. Mitômato, homossexual, viciado em drogas, garçom no badalado Latin Paradise, drag queen e, também, assassino em série.

Nascido na Martinica, o rapaz teve uma infância caótica e sem amor. Aos 10 anos, não aguentando mais o menino, sua mãe o mandou para morar com o pai na França. Acontece que o violento garoto tinha um gênio difícil e suas escolhas de vida o acabariam levando para o fundo do abismo. Thierry Paulin se tornou um bon vivant, um rapaz cujas aspirações se resumiam em estar rodeado de bebidas, cocaína, música alta e amantes. Seu ambiente era o das boates e festas e ele até pensou em montar a sua própria casa de shows. Vestido de mulher, ele arrasava em performances na Latin Paradise interpretando as músicas de Eartha Kitt, sua cantora favorita.

Sabemos o quão fútil e superficial pode ser a noite, e Paulin sucumbiu a esse mundo de ilusão. Para financiar suas despesas extravagantes, garrafas de champanhe e noitadas, Paulin ia “ao banco”. O ir ao banco era uma metáfora que ele usava para matar, nesse caso, mulheres idosas. Ele as observava na rua, as seguia, se oferecia para ajudá-las a carregar sacolas e as matava cruelmente dentro de seus apartamentos, roubando seus pertences. Em 1984, durante seis semanas, ele matou 9, então parou.

Mais de um ano depois, ele voltou a atacar ceifando a vida de mais 8 mulheres, então foi preso por espancar seu traficante. Na prisão descobriu ser soropositivo, na época uma sentença de morte. Quando saiu, e sabendo que ia morrer, Paulin decidiu viver os prazeres da noite até o último instante, mas para isso precisava ir ao banco, muitas vezes mais.

Por trás dessa história horrível esconde outra tragédia parisiense, uma tragédia das grandes cidades: a solidão da terceira idade. Mulheres idosas anônimas, vivendo sozinhas, frágeis, presas fáceis para os predadores da selva de pedra. Paulin matou 21 vezes e na maioria dos casos, mesmo depois de mortas, os familiares das vítimas não apareceram.

Thierry Paulin faleceu em decorrência de complicações da AIDS antes que pudesse ser julgado. Ele tinha 25 anos.

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Daniel Cruz
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