Guy Georges e a rejeição como faísca homicida nos assassinos em série

Em algum lugar da França na década de 1960, um garotinho negro tira uma foto cercado por gente branca. A foto é simbólica, ainda mais sabendo que 50 anos...

Em algum lugar da França na década de 1960, um garotinho negro tira uma foto cercado por gente branca. A foto é simbólica, ainda mais sabendo que 50 anos depois, este mesmo garotinho está atrás das grades, cumprindo sua pena de prisão perpétua. O nome dele? Guy Georges.

Assistindo à minissérie O Paraíso e a Serpente da Netflix sobre o serial killer Charles Sobhraj, Georges me veio à mente. O que eles têm em comum? Sobhraj nasceu no Vietnã, mas cresceu na França. Crescer num país de brancos tendo uma aparência asiática e cor amarela não foi fácil. Já adulto, Sobhraj começou a matar hippies brancos europeus. Ele matava aqueles cuja cor gostaria de ter. Ao mesmo tempo, abominava o fato de alguém nascer branco e se tornar um hippie. Para Sobhraj, era um desperdício.

Já Guy Georges era francês de nascimento, mas negro. Fruto de uma noite de prazer entre uma mãe branca francesa e um pai afro americano, ele foi abandonado pela mãe e família materna, que se incomodaram com sua cor. Quando finalmente foi adotado, se viu numa família com 11 crianças, todas brancas. Sentindo-se deslocado, refugiou-se na floresta que cercava a casa da família, iniciando um comportamento que levaria por toda vida. Primeiro caçando, prendendo e matando coelhos e galinhas d’água, depois seres humanos.

Suas vítimas eram mulheres lindas e brancas, aquelas que ele acreditava nunca poder possuir. Georges as seguia, penetrando em seus territórios (apartamentos), amarrando-as e amordaçando-as para desumanizá-las. Georges as estuprava e degolava de forma rápida e instintiva, sem olhar para o rosto da vítima. Para especialistas, seus crimes não tinham uma dimensão sádica, era, na verdade, “um ritual de vampirização. Ele se alimentava da energia e força vital da vítima, cujo sucesso o remete ao seu próprio sentimento de frustração e fracasso. [Seu motor] é uma violência predatória, como um gato que caça um pássaro por instinto. [Ele] foca no alvo”, sem sentir ódio, sem sentir nada, “com a indiferença característica dos serial killers”, disse o psiquiatra Michel Dubec.

Na mente doentia de parte dos assassinos em série, a rejeição é um gatilho deveras poderoso.

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Daniel Cruz
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