Caçadores de Animais & Assassinos em Série: uma ligação óbvia

Caçadores de animais costumam ser impiedosos. O ser vivo que está na mira de um rifle geralmente não escapa. Mas a morte, para estes animais, muitas vezes pode ser...

Caçadores de animais costumam ser impiedosos. O ser vivo que está na mira de um rifle geralmente não escapa. Mas a morte, para estes animais, muitas vezes pode ser uma bênção, um alívio para a dor e o sofrimento de ser perseguido, aleijado ou mutilado.

A caça é algo que se funde à história do homem. Sempre caçamos e provavelmente continuaremos a fazer por muito tempo. Como “esporte”, proporciona um momento único em contato com a natureza, amigos e família. Para muitos caçadores profissionais, a caça representa a incorporação dos valores familiares. Mas, claro, existe também um componente emocional (psicólogos preferem chamar de erótico), indicado pela elevação da frequência cardíaca, principalmente naquele momento em que predador e presa se entreolham. Essa emoção pode também servir como um forte estímulo; perseguir, caçar e matar proporciona uma sensação de poder.

Existem caçadores que perseguem animais, mas não atiram, da mesma forma existem pescadores que fisgam e devolvem o peixe ao rio. Estes são diferentes e sentem orgulho de não matar animais. Entretanto, a simples perseguição causa dor e sofrimento aos bichos. No caso do peixe é pior; ele volta para a água fraco, ferido e com a boca mutilada. Não se sabe quantos peixes morrem após serem pegos e devolvidos ao seu habitat, mas sabe-se que por volta de 10% das trutas morrem pelo simples fato de serem manipuladas por mãos humanas.

Eu também batia no meu irmão mais novo. A sensação de ser maior, mais poderoso, de saber que aquele indivíduo que está na sua frente não pode fazer nada contra você é muito prazerosa. Mas nos coloquemos no lugar dos mais fracos: como será a sensação de ser perseguido? Mesmo que caçadores persigam animais e não os matem, o simples ato da perseguição causa sofrimento. Patrick Bateson, da Universidade de Cambridge, descobriu que veados perseguidos por cães selvagens sofrem de estresses semelhantes ao nosso sentimento de medo. Um veado vítima de uma perseguição apresenta altos níveis de cortisol e suas células vermelhas sanguíneas destruídas indicam um extremo estresse psicológico.

A caça por “esporte” não tem nada de esporte.

Graham Collier, professor de filosofia da Universidade da Georgia, diz que a caça por “esporte” é apenas outro nome para descrever “a emoção em assassinar”. Segundo ele, a suposta alegria narcisista que impulsiona o caçador compulsivo de hoje não é a atitude psicológica que levou o caçador do período paleolítico a fazer o mesmo. Bacanas norte-americanos e europeus pagam fortunas para que governos africanos os deixem caçar em seus territórios. Recentemente, tivemos o caso da jornalista inglesa Melissa Bachman, que causou indignação em todo mundo. Para muitos estudiosos, caçadores são pessoas narcisistas e sádicas que buscam o prazer, poder e controle ao subjugar um ser indefeso.

Em 2013, a Examiner publicou uma reportagem de um grupo de caçadores de lobos que diz sentir orgasmos ao caçar, matar, estripar e comer suas vítimas de quatro patas. “A necessidade de caçar e prender os lobos não se trata de administrar ou preservar a vida selvagem. Essa é uma necessidade de indivíduos psicologicamente doentes que obtêm prazer sexual ao torturar um animal que eles amam odiar”, diz a matéria.

Assim, podemos comparar caçadores a assassinos em série. Muitos assassinos em série se sentem vulneráveis durante boa parte de suas vidas. Ao descobrir que controlar alguém apaga esse sentimento, eles começam a matar, atingindo a autogratificação que muitas vezes vem em forma de orgasmo. Como os caçadores de lobos acima e muitos outros ao redor do mundo, assassinos em série descobrem que causar humilhação e dor em suas vítimas é uma maneira de mostrar-lhes quem está no comando. Eles torturam e, às vezes, espera a vítima recobrar a consciência para que ela possa ver com os próprios olhos quem está no comando. (Pedro Lopez é um exemplo). O assassinato acaba sendo um substituto do prazer sexual e da incompetência como pessoas que eles sentem em sociedade.

Caçadores de animais e assassinos em série não parecem estar tão longe um do outro. Ambos buscam emoção, poder e controle. Ambos matam seres vivos repetidamente causando sofrimento físico e psíquico à eles. Causar sofrimento e morte a outras pessoas é o que diverte muitos assassinos em série. O mesmo eu posso dizer de um caçador, afinal, para muitos é viciante o gemido da presa ao ser atingida por um tiro.

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Daniel Cruz
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