Celebridades Assassinas: Dorinha Duval — Vaidade & Cólera

Por 30 anos a atriz Dorinha Duval cimentou o seu nome no rol das grandes atrizes do teatro, rádio e televisão. Ela participou de sucessos monumentais da Rede Globo...

Por 30 anos a atriz Dorinha Duval cimentou o seu nome no rol das grandes atrizes do teatro, rádio e televisão. Ela participou de sucessos monumentais da Rede Globo como as novelas “Irmãos Coragem” e “Selva de Pedra”. Dorinha se tornou tão grande que seu segundo marido, Daniel Filho, um dos principais nomes da história da TV, foi contratado pela Globo em 1969 não por méritos próprios, mas por ser marido dela.

Por isso, ninguém quis acreditar quando, em 5 de outubro de 1980, Dorinha matou seu terceiro marido, Paulo Garcia, 35, com quatro tiros no belo sobrado do casal no Jardim Botânico, Rio de Janeiro.

VAIDADE & CÓLERA


Quando matou Paulo, Dorinha, aos 51 anos, estava obcecada com duas coisas: amor & beleza. Ela era terrivelmente passional, tanto que tentou matar o segundo marido, Daniel, durante o processo de divórcio. Ela nunca superou o rompimento e tentou o suicídio. Irritadiça, começou a beber, mas parou quando conheceu Paulo, 16 anos mais novo, viril e no auge de seus 31 anos.

Para Dorinha, Paulo era maravilhoso e jovem, portanto, todas as mulheres gostariam de tê-lo. Ela tinha muitos ciúmes, exacerbados por sua idade e consequente baixa autoestima: ela já era “velha”. Há quem diga que, profissionalmente, Dorinha também vivia no limbo — uma atriz que experimentou o topo, agora estava relegada a um papel secundário de uma série infantil. Ela era a vilã Cuca, em “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

Havia um descompasso em sua vida, principalmente com a visão de si mesma — a beleza perdida. Ela perdeu 14 quilos em um regime maluco que a deixou instável. Brigas com Paulo se tornaram constantes e o sexo passou a ser visto por ela como um pêndulo: se Paulo a procurasse na cama, era sinal que ele ainda a amava, se não, ele tinha outra. Os quatro anos de casamento cobraram o seu preço e o sexo diminuiu drasticamente.

Na noite do crime, Paulo foi tomar banho e Dorinha se produziu toda, pensando que ele estava se preparando para o sexo. Não estava. Ela o cobrou e disse que colocaria silicone nos seios para ficar mais bonita. “Não quero mulher remendada”, disse Paulo. Ele também teria dito que a esposa estava velha.

Dorinha, então, não quis ouvir mais nada.

Com a vítima morta, temos apenas a versão da assassina. Segundo Dorinha, com a recusa de Paulo em fazer sexo, ela explodiu em raiva e o acusou de ter mulheres mais novas e bonitas. Paulo teria confirmado e dito que ela estava velha, feia, gorda, acabada e que só servia para ganhar dinheiro. Ferida na alma, ela ameaçou se matar. Paulo, então, tirou um revólver da gaveta. Dorinha avançou no marido e os dois começaram a se agredir. Em algum momento, de acordo com sua versão, tudo ficou “preto” e quando voltou a si, Paulo estava ensanguentado na cama, vitimado com quatro tiros.

Artistas como Chico Anísio, Grande Otelo, Hebe Camargo e Mário Lago foram chamados pela defesa para testemunhar a favor de Dorinha. Em um primeiro julgamento, Dorinha foi condenada a 18 anos de prisão, mas a sentença foi anulada. Anos depois, em um segundo julgamento, foi condenado a seis anos de prisão domiciliar, mas cumpriu apenas oito meses. Ainda na década de 1980, Dorinha se reinventou como artista plástica e teve obras expostas na França, onde ganhou prêmios. Ela é mãe da atriz Carla Daniel, fruto de seu relacionamento com Daniel Filho.

Na data de publicação deste texto, Dorinha contava 95 anos e continuava a morar no Rio de Janeiro.

Fontes consultadas: [1] As dez mulheres mais bem despidas do Brasil. Manchete. Pág. 24. Ed. 101. 1954; [2] Daniel Filho. Minha Vida é Um Show. Manchete. Pág. 120. Ed. 1443. 1979; [3] Dorinha Duval. As Formas de Liberdade. Manchete. Pág. 64. Ed. 1970. 1989; [4] Dorinha Duval reencontra a vida. Manchete. Pág. 20. Ed. 1493. 1980; [5] Dorinha Duval. “Estão jogando todo o ódio contra mim”. Pág. 18. Manchete. Ed. 1489. 1980; [6] Dorinha Duval. Três Tiros no Escuro. Pág. 16. Manchete. Ed. 1488. 1980; [7] Um crime na carreira de Dorinha Duval. Manchete. Pág. 4. Ed. 1487. 1980.

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Por:


Daniel Cruz
Texto

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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