Adolf Seefeld: relojoeiro, viajante & assassino em série

Um mistério inquietante intrigou os nazistas durante o Terceiro Reich. Por anos, no norte do país, em áreas florestais remotas, meninos com idades entre 5 e 12 anos foram...

Um mistério inquietante intrigou os nazistas durante o Terceiro Reich. Por anos, no norte do país, em áreas florestais remotas, meninos com idades entre 5 e 12 anos foram encontrados “dormindo”. Eles pareciam estar cochilando tranquilamente, mas, na verdade, estavam mortos. O surpreendente era que os cadáveres jaziam todos alinhados, como se as crianças estivessem em sono sereno. Não havia sinais de violência externa nos corpos e, em nenhum caso, os médicos legistas foram capazes de determinar a causa da morte. Na época, ventilou-se a possibilidade de que os garotos morreram intoxicados por cogumelos ou, após se perderem na floresta, sucumbiram ao frio extremo.

Meninos, entretanto, continuaram a desaparecer — e corpos a aparecer. Em fevereiro de 1934, um promotor público disse acreditar na existência de um “criminoso moral”, ou seja, havia um assassino em série à solta que atraia crianças até florestas para tirar-lhes a vida. Uma comissão especial foi formada e, após examinar circunstâncias específicas de cada caso, as autoridades concluíram que os meninos foram mortos por alguém perito no uso de veneno. Mas quem?

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Investigadores de Berlim entraram no caso e ouviram dezenas de histórias de um “velho simpático” usando chapéu cinza com aba, atraindo crianças para florestas. Algumas não aceitavam os convites, já outras eram vistas por testemunhas ou pegas por suas mães no caminho. Quando os detalhes foram compartilhados entre as polícias de todo o país, um detetive se lembrou de um caso antigo onde um “velho” tentou levar consigo um menino para a floresta. Seu nome: Adolf Seefeld.

Aos 65 anos, Seefeld era o “amigo das crianças” e conhecido por “Tio Tic-Tac”, devido ao seu ofício de relojoeiro. Ele era um andarilho que percorria a Alemanha em busca de relógios quebrados para consertar — e crianças para atacar. Seu passado era sombrio, com dezenas de condenações por raptos e crimes sexuais contra crianças.

Misterioso, sofisticado e frio, Seefeld nunca admitiu seus crimes. A justiça o condenou com provas circunstanciais e o velho relojoeiro permaneceu em silêncio até o seu amargo fim, se agitando apenas ao ver o carrasco se aproximar.

Psicopata inteligente, Seefeld aprendeu com seu passado e após sair da prisão adotou um comportamento discreto com vestimenta apropriada, viajando por vilarejos do norte cercados de florestas. Era popular entre as crianças, enganando-as com sua fachada amigável. Ele passou provavelmente a matar crianças para encobrir os abusos, pois na juventude foi preso inúmeras vezes após suas vítimas o denunciarem, e ele fez isso de maneira muito refinada. Não havia nada nos corpos para indicar alguma brutalidade; venenos ou narcóticos nunca foram encontrados nas vítimas; nem mesmo o abuso sexual pode ser comprovado.

Preso, permaneceu em silêncio mesmo sob forte pressão. Seu passado pervertido não o abalou e Seefeld continuou impassível e até colocou investigadores uns contra os outros. Não havia provas contra ele e o julgamento foi circunstancial. Mesmo assim, ele foi condenado à morte e executado em maio de 1936; doze homicídios foram oficialmente atribuídos a Seefeld. Na época, o promotor do caso afirmou que ele era o principal suspeito de 40 outros homicídios contra meninos, crimes que “certamente nunca serão apurados”. Alguns estudiosos do caso citam que este número pode (e deve) ser maior.

Curiosidade Histórica: o julgamento de AdolfSeefeld foi acompanhado de perto pela imprensa, controlada pelos nazistas. Ao pesquisar os jornais de época, nota-se de forma escancarado nas reportagens o teor preconceituoso, com os nazis usando o caso para reafirmar sua propaganda: “vagabundos” inferiores que infestavam as ruas e homossexuais (a exemplo de Seefeld) eram doenças que deviam ser extirpadas. Foi uma oportunidade para o governo criar um pânico moral e rotular os homossexuais de molestadores de crianças.

Referências: [1] Die zwölf Knabenmorde des Adolf Seefeldt. Innsbrucker Nachrichten. 9 abr. 1935. Pág. 7; [2] Der Massenmörder Seefeldt. Neues Wiener Tagblatt. 4 jun. 1935. Pág. 8; [3] Der Kindermörder Seefeldt. Innsbrucker Nachrichten. 22 jan. 1936. Págs. 8-9; [4] 12 death sentences for child slayer. Evening Star. 23 fev. 1936. Pág. B-5; [5] Das Spiel Ist Aus – Arthur Nebe. Der Spiegel. Artikel 29. Ed. 48. 23 nov. 1949.

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Por:


Daniel Cruz
Texto

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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